Paradoxo de Bethânia
o mal é bom e o bem cruel
aplacada pelo erro acerto hoje quase morri acachapada pelo correto em sua mão pesada sobre a cabeça não cabe a epifania de um dia difícil saber qual santo orixá anjo deus guardião vela por mim em me comprometer círculos de que e com quais centros me meter por fim me livram a escrita cura a poesia o poema ainda que eu burra em esperanto delongue esquivar seu soco por décimos equívocos amanhã tudo muda amanhã o filho chega amanhã tudo amanhã mundo de antares a alpha e beta aqui embaixo nem baixo é a mais ou menos uma milha de quilômetro e meio quatro e meio bilhões de tempo e dinheiro entre mortos e vivos possivelmente no meio quem me chama toda vez mostra pedaços de espelhos não pedra não gente nem bicho nem humano formigas correição baratas jacarés mariposas borboletas uma cobra sem cor alguma atrás do sofá cortar as fitas da cabeça da serpente luto e luta nesse mesmo todo dia essa casa lugar onde vozes que agora ouvimos escutam de volta volta e meia vamos dar um jorro de vida à morte frases feitas às vozes insistentes em enunciar diremos: você não morreu ainda não morremos e se sim te faremos entre outras coisas ressuscitar ideias e palavras grandes iluminismos abstrações em conluio um agrado universal a poucos hoje melhores que o simpósio dos horrores onde os covardes e todos os seus motores dizem à vida o avesso do erro não soube que o acerto aquele dia era desistir só hoje a voz se instalaria perigosa e contra em mim à própria vida ações ventos tufão terremoto movimento abriram-se em agosto à comporta compartimentos velhas vozes que nunca deixamos de ouvir gritam agora em setembro afastá-las como à abelha de lygia a desgraça em potência inócua de sua presença o desespero que diz um belo dia lua cheia de agosto entregue aos leões e às harpias encontro um abrigo no peito do menor inimigo de todos os tempos em estocolmo o ego frágil desse diluidor da força alheia dessa peça morta espero inesperáveis entrego à direção a guia dos guardas do portão é tarde demais há quatro cinco meses ressuscitamos de frases e espíritos a mão tenta e tentará a mão falha e falhará e o que mais se há é de fazer
